terça-feira, 13 de julho de 2010

Les eaux de mars



Les eaux de mars Tom Jobim

Un pas, une pierre, un chemin qui chemine,
Un reste de racine, c'est un peu solitaire,
C'est un éclat de verre, c'est la vie, le soleil,
C'est la mort, le sommeil, c'est un piège entr'ouvert.


Un arbre millénaire, un noeud dans le bois,
C'est un chien qui aboie, c'est un oiseau dans l'air,
C'est un tronc qui pourrit, c'est la neige qui fond,
Le mystère profond, la promesse de vie.


C'est le souffle du vent au sommet des collines,
C'est une vieille ruine, le vide, le néant,
C'est la pluie qui jacasse, c'est l'averse qui verse
Des torrents d'allégresse, ce sont les eaux de mars.



C'est le pied qui avance, à pas sûr, à pas lent,
C'est la main qui se tend, c'est la pierre qu'on lance,
C'est un trou dans la terre, un chemin qui chemine,
Un reste de racine, c'est un peu solitaire.


C'est un oiseau dans l'air, un oiseau qui se pose,
Le jardin qu'on arrose, une source d'eau claire,
Une écharde, un clou, c'est la fièvre qui monte,
C'est un compte à bon compte, c'est un peu rien du tout
.

Un poisson, un geste, comme du vif argent
C'est tout ce qu'on attend, c'est tout ce qui nous reste,
C'est du bois, c'est un jour le bout du quai,
Un alcool trafiqué, le chemin le plus court.


C'est le cri d'un hibou, un corps ensommeillé,
La voiture rouillée, c'est la boue, c'est la boue.


Un pas, un pont, un crapaud qui coasse,
C'est un chaland qui passe, c'est un bel horizon,
C'est la saison des pluies, c'est la fonte des glaces,
Ce sont les eaux de mars, la promesse de vie.


Une pierre, un bâton, c'est Joseph et c'est Jacques,
Un serpent qui attaque, une entaille au talon,
Un pas, une pierre, un chemin qui chemine,
Un reste de racine, c'est un peu solitaire.


C'est l'hiver qui s'efface, la fin d'une saison,
C'est la neige qui fond, ce sont les eaux de mars,
La promesse de vie, le mystère profond,
Ce sont les eaux de mars dans ton coeur tout au fond.



E pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto de toco, é um pouco sozinho...
Un pas, une pierre, un chemin qui chemine,
Un reste de racine, c'est un peu solitaire

sexta-feira, 14 de maio de 2010

C'est Nelson Rodrigues!


"... Diz Jouvet que não há teatro sem sucesso. Ele escrevia em francês e qualquer bobagem em francês soa como uma dessas verdades inapeláveis e eternas. Repito que a prosa francesa pensa pelo autor e pelo leitor e convece os dois."¹
"...Reparem como o sujeito que fala em francês e pensa em francês toma ares de gênio e de infabilidade. Ao passo que o nosso estilista precisa travar uma luta corporal com a própria língua.
Mas traduzam Jouvet e vejam como a aparente verdade é, apenas, uma bobagem insuportável. Imaginem vocês uma arte que depende não do autor, não da poesia plástica e verbal, não do ator, não da atriz, não de sua tensão dionisíaca, mas do bilheteiro. Se é asim, está errada toda a dmiração que, através dos tempos, temos dedicado a Sófocles, Shakespeare, Ibsen e outros. O maior dramaturgo de todos os tempos seria o bilheteiro e o melhor texto o borderaux."²

¹Retirado de "O autor como um ladrão de cavalos". Do livro "O Reacionário- Memórias e confissões" de Nelson Rodrigues.
² Retirado de "A eternidade do canastrão". Do mesmo livro.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Um texto de 06/08/08 que estava perdido no computador.

Vida

Inspira...
Concentração e vida
Expira...
Leveza e alívio
Respira...
Então sinta e transmita toda essa energia do corpo, através da alma.

Camila Vaz

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Nosso estranho amor...



"Teu corpo combina com o meu jeito,
Nós dois somos feitos muito pra nós dois."
Caetano Veloso

Respiração



Respiração- troca com o mundo.

Klauss Vianna em colaboração com Marco Antônio de Carvalho. A dança. Pg.71

Compreensão



"O Teatro cansa-se inutilmente quando luta no terreno da ilusão contra artes cuja essência é duma outra natureza. O objetivo consiste em fazer descobrir aos alunos que a riqueza da linguagem teatral não está na intenção de fazer crer, mas na de mostrar para fazer compreender."

Jean-Pierre Ryngaert. O jogo dramático no meio escolar. Pg63.

Conversa de criança.


"Improvisar uma situação no palco, tem sua própria espécie de organização, como no jogo. Depois que um grupo de atores de seis a sete anos brincaram-de-casinha no palco, houve a seguinte discussão:

Vocês estavam brincando-de-casinha ou estavam representando uma peça?
'Éstávamos representando uma peça'.
Qual a diferença entre brincar-de-casinha no seu quintal e fazer isso aqui?
'nós temos um palco aqui'
Aqui nós estamos brincando de casinha?
'Não; aqui nós estamos fazendo uma peça'.
O que vocês têm aqui além de um palco?
'Uma platéia'.
Porque a platéia vem ver uma representação?
Eles gostam - é divertido'.
Aquilo que vocês representaram divertiu a platéia?
'Não'
Porque não?
'Não deixamos eles ouvirem nossas vozes nem tornamos a peça mais interessante pra eles'.
O que podiam fazer para a representação ser mais interessante?
'Podíamos ficar emburrados, ou todos iríamos ver a T.V. ao mesmo tempo - qualquer coisa assim.'
Eu gostaria de perguntar novamente: vocês agora estavam brincando-de-casinha ou representando uma peça?
'Estávamos brincando-de-casinha'.
Vocês acham que podem voltar ao palco e, em lugar de 'brincar-de-casinha', como no seu quintal, fazer uma peça sobre uma família numa casa e mostrar-nos Onde vocês estão, Quem vocês são e O quê estão fazendo ali?
'Sim'.

A cena foi feita novamente, retendo toda a graça da primeira execução, a par de um esforço verdadeiro dos atores para torná-la 'mais interessante para a platéia'. A espontaneidade da brincadeira de fundo de quintal manteve-se, acrescida da realidade em transmitir sua experiência à platéia.

A crinaça também pode aprender a não fazer-de-conta, mas 'tornar real'. Pode aprender a mágica teatral de 'tirar um coelho da cartola'.
Perguntou-se a um grupo de oito a onze anos porque precisavam tornar as coisas reais para a platéia e não faz-de-conta.
'Se você faz-de-conta, não é verdadeiro, e a platéia não pode ver."

Viola Spolin. Improvisação para o Teatro, pg 254 e 255.