quinta-feira, 23 de abril de 2009

As coisas tão mais lindas


As coisas tão mais lindas
Cássia Eller
Composição: Nando Reis

Entre as coisas mais lindas que eu conheci
Só reconheci suas cores belas quando eu te vi
Entre as coisas bem-vindas que já recebi
Eu reconheci minhas cores nela, então eu me vi

Está em cima com o céu e o luar
Hora dos dias, semanas, meses, anos, décadas
E séculos, milênios que vão passar

Água- marinha põe estrelas no mar
Praias, baías, braços, cabos, mares, golfos
E penínsulas e oceanos que não vão secar

E as coisas lindas são mais lindas
Quando você está
Hoje você está
Onde você está
As coisas são mais lindas
Por que você está
Onde você está
Hoje você está
Nas coisas tão mais lindas

Concentração da atenção


"Há pessoas dotadas pela natureza com poderes de observação.Sem esforço, formam uma nítida impressão de tudo o que for mais significativo, típico ou colorido. Ouvindo essa gente falar, ficamos impressionados com a quantidade de coisas que as criaturas pouco observadoras deixam escapar."


A PREPARAÇÃO DO ATOR-Constantin Stanislavski

Cartas a uma jovem atriz


"Jovem atriz, não sei se o dom, mas certamente, o desejo de interpretar está no sangue, embora possa se manifestar mais cedo ou mais tarde em cada artista e não seja obrigatóriamente hereditário..."

Cartas a uma jovem atriz-Marília Pêra

sábado, 17 de janeiro de 2009

Quando eu-O pastor amoroso


Quando eu não te tinha
Amava a Natureza como um monge calmo a Cristo.
Agora amo a Natureza
Como um monge calmo à Virgem Maria,
Religiosamente, a meu modo, como dantes,
Mas de outra maneira mais comovida e próxima ...
Vejo melhor os rios quando vou contigo
Pelos campos até à beira dos rios;
Sentado a teu lado reparando nas nuvens
Reparo nelas melhor —
Tu não me tiraste a Natureza ...
Tu mudaste a Natureza ...
Trouxeste-me a Natureza para o pé de mim,
Por tu existires vejo-a melhor, mas a mesma,
Por tu me amares, amo-a do mesmo modo, mas mais,
Por tu me escolheres para te ter e te amar,
Os meus olhos fitaram-na mais demoradamente
Sobre todas as cousas.
Não me arrependo do que fui outrora
Porque ainda o sou.

XXIV - O que Nós Vemos-Alberto Caeiro





O que nós vemos das cousas são as cousas.
Por que veríamos nós uma cousa se houvesse outra?
Por que é que ver e ouvir seria iludirmo-nos
Se ver e ouvir são ver e ouvir?
O essencial é saber ver,
Saber ver sem estar a pensar,
Saber ver quando se vê,
E nem pensar quando se vê
Nem ver quando se pensa.

Mas isso (tristes de nós que trazemos a alma vestida!),
Isso exige um estudo profundo,
Uma aprendizagem de desaprender
E uma seqüestração na liberdade daquele convento
De que os poetas dizem que as estrelas são as freiras eternas
E as flores as penitentes convictas de um só dia,
Mas onde afinal as estrelas não são senão estrelas
Nem as flores senão flores.
Sendo por isso que lhes chamamos estrelas e flores.

sábado, 10 de janeiro de 2009

Vagalumes


"Brincando de correr entre vagalumes
Sem querer pegamos uma estrela baixa
Roubamos todas as flores pra esconder perfumes
Estrelas, vaga-lumes dentro de uma caixa
[...]
Pra temperar os sonhos e curar as febres
Inserir nas preces do nosso sorriso
Brincando entre os campos das nossas idéias
Somos vaga-lumes a voar perdidos...a voar perdidos..."

Brilha onde estiver


"Não há de ser nada, pois sei que a madrugada acaba, quando a lua se põe
A estrela que eu escolhi não cumpriu com o que eu pedi
e hoje não a encontrei

Pois caiu no mar, e se apagou

Se souber nadar, faça-me o favor


O milagre que esperei nunca me aconteceu
Quem sabe só você
Pra trazer o que já é meu


Brilha onde estiver
Faz da lágrima o sangue que nos deixa de pé


O Teatro Mágico